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terça-feira, 12 de junho de 2007

MÚSICA & HUMOR







Anos atrás, final dos anos 80, eu queria criar um festival de música de humor. A idéia era óbvia para quem se lembrasse das marchinhas de carnaval, de tantos sambas do Noel, do Moreira da Silva, do Adoniran Barbosa, de músicas de duplo, triplo, múltiplos sentidos do Brasil inteiro; ou que assistisse ao Joelho de Porco ou ao Língua de Trapo, ao Tangos & Tragédias, ao Garganta Profunda, entre tantos outros grupo maravilhosos daqui, mas, também, tivesse o privilégio de ouvir o argentino Les Luthiers, o americano P.D.Q.Bach, o inglês Dudley Moore, para citar alguns poucos exemplos.

Enquanto não ponho a idéia de novo na agenda, lanço aqui no nosso CLUBE o Festival Internacional e Permanente de Música de Humor, cuja única finalidade é nos fazer rir. Embora, como nos ensinava Leonard Bernstein, o humor musical nem sempre provoque gargalhadas, mas uma daquelas admirações que temos diante da perspicácia provocante da inteligência. Espero que gostem. Para o lançamento, vamos ouvir dois “clássicos” do humor musical. O primeiro, formado por uma dupla genial, famosa por sua interpretação da Rapsódia Húngara No.2, de Brahms, numa versão para piano e orquestra. Senhoras e senhoras, Tom & Jerry.



Nascido Børge Rosenbaum em Copenhagem, Dinamarca, em 1909, ele ficou conhecido como Victor Borge. Victor formou-se pela Real Academia Dinamarquesa e tornou-se um aclamado pianista, mas ficava nervoso ao ter que repetir sempre as mesmas obras para um público sisudo. Fugiu da invasão nazista ao seu país para os Estados Unidos, aonde foi reconhecido e lançado para o sucesso por Bing Crosby. Não se preocupem porque este não será o único número que apresentarei com ele. Para uma audição comparada com Tom & Jerry, tendo como peça de confronto a mesma Rapsódia No.2, de Brahms, Victor Borge.




segunda-feira, 4 de junho de 2007

PARA SEMPRE ELIS









Fomos jantar com uma amiga com quem tínhamos muito para conversar. A amiga queria mesmo era brincar com a Lara. Chegamos cedo, o movimento ainda era pequeno e nas telas de plasma ela cantava. E brigava. E desafiava meio mundo. E cantava. Elis Regina estava lá. Outra vez. E sempre.

Em 2002, quando todos lembramos os 20 anos de saudades dela, eu publiquei um artigo sobre andamentos lentos, como os Adágios, sobre as nossas cotidianas e desagradáveis correrias, e que terminava com uma carta para ela – que sabia, como ninguém, entre tantas outras coisas, cantar lentamente. Velozes, outros cinco anos se passaram. E era como se Elis, nas telas de plasma do restaurante, olhasse para mim e cobrasse:

- E então... está esperando o que?

Como nunca serei eu a dizer não a ela, ele está lá, na seção de ARTIGOS, com uma pequena seleção de interpretações inesquecíveis. Fico devendo “Arrastão”. Para começar, um pouco do seu canto, da sua música, do seu humor, do seu talento cênico: ELIS REGINA.