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terça-feira, 19 de junho de 2007

Festival Internacional e Permanente de Música de Humor

Sucesso imediato! Assim que eu gosto: montes de elogios para Bobby McFerrin e Richard Bona. Já que gostaram tanto, aí vai uma gravação do improviso - cheio de humor - que ele fez com a cantora polonesa Urszula Dudziak. Para nossa alegria e orgulho, Tico-Tico no Fubá, de Zequinha de Abreu.



MEU BRASIL INTERNACIONAL

Já que vimos como é genial – e de puro bom humor musical – o Tico-Tico no Fubá, vamos dar uma voltinha rápida para ver o que ele andou aprontando pelo mundo. Para começar, a principal responsável pelo seu sucesso, Carmen Miranda e o Bando da Lua.




Uma passadinha pela Espanha para ouvir Paco de Lucía.




E é claro que, podendo, eu vou dar a palavra final a um grande maestro. Uma oportunidade de comprovar o sucesso de Tico-Tico no Fubá e uma prova brilhante de que seriedade musical é fazer bem boa música. Daniel Baremboim com a Filarmônica de Berlim.


quarta-feira, 6 de junho de 2007

ANIVERSARIANTE DO DIA: DIEGO VELÁZQUEZ








Las Meninas - Diego Velázquez
Museo del Prado - Madri


Hoje é o aniversário de nascimento de Diego Rodríguez de Silva Velázquez, que nasceu num 6 de junho como este, no ano de 1599, na magnífica cidade de Sevilha, na Espanha, para tornar-se o seu mais importante artista no século 17. Pelos seus efeitos de forma e textura, espaço, luz e atmosfera – criados pela brilhante diversidade de técnicas do pincel e por sutis harmonias de cor, foi o precursor dos impressionistas do século 19. Para saber mais sobre ele, leia aqui, na confiável Enciclopédia Britânica.

Vamos aproveitar e reunir os nossos aniversariantes recentes neste filme com as obras de Diego e a Suíte espanhola para piano, Op. 47, No.1: Granada, de Isaac Albéniz, aqui adaptada para o violão.



O quadro lá de do início - Las Meninas - é uma obra-prima de luzes e cores, mas também de narrativa. Todas as figuras estão presentes, arrumadas genialmente - um auto-retrato do artista à esquerda, reflexos do Rei Felipe IV e da Rainha Mariana no espelho no fundo da sala, e da Infanta Margarita com as suas meninas, como eram chamadas as damas de honra, na frente. O olhar sempre pode ir adiante, descobrir e descobrir, porque ali não está só um quadro, mas uma crônica inteira da côrte, da Espanha, das artes, naquela época, além de uma provocação que ecoa hoje, agora. Pensar também é assim – memórias, imaginações, devaneios, vontades, uma coisa que leva a outra, que leva a outra, e mais uma, ainda, sempre mais uma... E daí?

Daí que Velázquez me lembrou da Espanha, que me lembrou Madrid, que me lembrou seus museus, que me lembrou os artistas que ficaram encantados com aquela obra do mestre Diego. Como Francisco Goya, que é considerado o “inventor” de sua própria arte, só creditando o seu desenvolvimento ao conterrâneo Velázquez. Em 1778, Goya trabalhou longamente numa série de gravuras que reproduzem retratos da realeza, num total de vinte e um trabalhos sobre Velázquez, dos quais só publicou 11, como este:




Las Meninas, após Velázquez - Francisco Goya
Metropolitan Museum – Nova Iorque





Ou como Picasso que se fechou no estúdio da sua casa La Californie, perto de Cannes, entre agosto e dezembro de 1957, para produzir 58 óleos sobre tela a partir de Las Meninas – quarenta e quatro inspiradas diretamente no modelo, nove pequenos pombos, três paisagens e duas interpretações livres. Picasso estava mais interessado no desenvolvimento do seu próprio pensamento, do que nas “idéias”, elas mesmas, como coisas estáticas e admiráveis, que podem interromper o fluxo, cobrar compromissos, paralisar.







Las Meninas, após Velázquez - Pablo Picasso.
Museu Picasso, Barcelona.



Ou, ainda, a fotógrafa austríaca Jaqueline Vanek, que “pensou” Las Meninas com fotografia e colagem:







Las Meninas, após Velázquez - Jaqueline Vanek
Coleção da Artista


O quadro registra um momento, um exato e veloz momento, quando os pais da Infanta, Reis de Espanha, entram na sala do Palácio de Alcàsser, em Madri, onde o artista trabalhava, para visitar a pequena Marquerita - ela é a protagonista do evento, no centro e na frente. As figuras deles estão no espelho, no centro e ao fundo, e tudo na imagem se organiza neles. Mas os olhares convergem – neste duplo que Velázquez cria pelo artifício do espelho – “para cá”, para nós, eu e vocês, e todos os que olharam alguma vez para Las Meninas nestes últimos 350 anos – o quadro se dirige, coloca em destaque, este público imenso, incontavelmente maior do que todas as cortes de Espanha – o público. Nós. Todos nós.

Um, mais um, outro, outro ainda, um para o outro, para o outro, numa cadeia possivelmente infinita de olhares e pensares. Idéia-criação que dispara idéias e criações. E daí?

Daí que Yo-Yo Ma vai se apresentar em São Paulo três vezes – 18, 19 e 20 de junho. Daí que continuam a perguntar se ele é o número 1 do violoncello, e ele tem que explicar, como todo músico tem que explicar - que música não é campeonato de nada. Daí que continuam a dizer que a música popular e a música clássica e tal e tal. E ele tem que explicar, com muito cuidado, que as categorias são outras.

E daí?

Daí que precisamos insistir em cadeias que podem ser infinitas – de imagens, de obras-primas, de interpretações e interpretações, de entendimentos e diálogos, onde as categorias classificatórias, emperram, atrapalham, desviam.

E daí? Daí, Yo-Yo Ma, um violoncelo, uma Suíte de Bach, e quinhentos anos de arte sobre a mais intrigante beleza.

Daí que olhei para o lado e minha mulher tinha minha filha nos braços e elas se olhavam. E eu pensei nestes rostos femininos, nestas imagens em reflexo e aprendizagem e mútua invenção. Nestes rostos que são mais femininos quanto mais são permanente transformação.

Eu, o que olha, o que busca, o que perplexo, admirado de amor, me confesso.





terça-feira, 29 de maio de 2007

ANIVERSARIANTE DO DIA: ISAAC ALBÉNIZ


Hoje é aniversario do compositor espanhol ISAAC ALBÉNIZ, que nasceu em Camprodón, Girona, em 29 de maio de 1860.

Ele foi o mais velho da geração que reuniu também Enrique Granados, Manuel de Falla e Joaquin Turina, e que fez dos vários e brilhantes caminhos do flamenco e do cante jondo, do aurresku basco, da jota de Navarra, da sardana catalã, da seguidilla e do bolero de Castela, a larga avenida do nacionalismo espanhol. Gosto da sua música e das peripécias da sua vida.

Albéniz poderia ter sido apenas mais um menino prodígio que estreou aos 4 anos no Teatro Romea de Barcelona e que aos 6 foi para Paris estudar com Marmontel. Foi mais um anunciado como “o novo Mozart” – agora mesmo há outro, sobre o qual escreverei em breve. Sobreviveu ao que o violinista Joshua Heifetz (também ele uma vítima) chamava “a doença do menino prodígio” fugindo do pai explorador aos 10 anos de idade!

Desde então, Albéniz foi seu próprio empresário. Organizou recitais e concertos para si mesmo em Ávila, Peñaranda de Bracamonte, Zamora, Toro, Valladolid, León, Logroño, Zaragoza, Barcelona, Málaga, Granada e Cádiz. Quando viu que cuidava muito bem de si próprio e que conquistava um público disposto a pagar para ouvi-lo tocar piano, tratou de deixar seu país e conquistar o mundo – aos 12 anos tocou no Rio de Janeiro e em Buenos Aires, aonde foi alcançado pelo pai que, lá mesmo, decidiu deixá-lo em paz. No ano seguinte, sempre sozinho, Albéniz apresentou-se em Porto Rico, Havana e Santiago de Cuba. Seguiu para o México e, de lá, para ser carregador de malas em Nova Iorque, cidade que não reconheceu seu talento e perdeu-o para um sucesso consagrador em São Francisco. De lá, partiu para uma série de concertos em Londres, de onde seguiu para estudar em Leipzig e, logo depois em Bruxelas, cidade aonde perdeu seu melhor amigo de libertinagem, que se suicidou depois que os dois foram levados aos tribunais acusados de devassidão. Aos 18 anos foi encontrar Liszt em Budapeste, de quem se tornou um aluno predileto, e que o acompanhava por toda parte. Para descansar, ingressa como noviço entre os beneditinos de Salamanca e, entre uma fuga e outra do convento, dirige uma companhia ambulante de zarzuelas. Casou aos 23 anos com Rosina Jordana, foi um marido e um pai exemplar, dando início a uma vida de criação intensa e carreira pianística muito bem sucedida. Um exemplo para quem acha que artistas precisam sofrer para criar.

Se você quer saber mais sobre ISAAC ALBÉNIZ, um bom começo é o site do CENTRO VIRTUAL CERVANTES.

Para comemorar a data, vamos ouvir JOHN WILLIAMS tocar ASTÚRIAS (Leyendas).